A Última Carta Não Foi de Amor

22/04/2018

_______________, esse é o único jeito que eu pensei em poder dizer (quase) tudo o que eu queria dizer sem que você me interrompesse, ou me humilhasse de novo, ou explodisse, ou coisa parecida. Por favor, leia.

                 “Estou eu aqui de novo, tentando explicar o inexplicável, ou que você não entende, ou não quer entender, porque não interessa, desde que não satisfaça o que você quer. Bom, nós sabemos que nenhum dos dois estamos felizes neste relacionamento. Eu tenho me sentido triste, cansada de tantas brigas, tensa e até oprimida com tudo isso.

               Com você eu não posso ser eu mesma, tenho que ficar pensando, tendo cuidado em ser quem eu sou, para dizer só o que você gosta de ouvir e evitar brigas (o que não tem adiantado muito, diga-se de passagem). Tudo que faço ou deixo de fazer (se não for do teu agrado) se volta contra mim, porque você sempre me julga e, claro, me condena.

                  Não sei exatamente como pensa, mas você tenta controlar tudo, horários, redes sociais, não quer que eu tenha nem amigas, (isso acontecia desde sempre, já era um sinal que não percebi), toda a vez que eu saio com amigas dá problema, você sempre diz que é cuidado, carinho, mas hoje eu sei que é controle!

                    Parece que você quer que eu me isole do mundo! Quer minha atenção total, o tempo todo para você. Esquece que somos indivíduos, nascemos separados, temos histórias de um passado que é um fato que não podemos mudar.

                 Quando nos conhecemos, pensei que você vivendo sozinho por tanto tempo seria uma pessoa inteira e eu sendo uma pessoa inteira, poderíamos andar juntos, ser companhia um do outro, apoiar um ao outro, não ser controlado um pelo outro, que como adultos que somos o respeito estaria acima de tudo, então não precisávamos controlar, só respeitar!

                  Tuas atitudes me dizem que você não confia em mim, ou em si próprio. E eu acredito que não seja por causa da distância, você é assim. Você sempre diz coisas que me ofendem, me deixam para baixo, tira toda a minha autoestima, que já não anda tão boa. Até minha inteligência, que sempre foi elogiada, para você não é nada. Parece que precisa me diminuir!!! Não entendo!?

                    Nossa justificativa para ficarmos juntos é que fomos felizes por um mês e meio? Eu sei que a culpa é toda minha, eu que isso, eu que aquilo, eu que faço isso, eu que faço aquilo (ou não). Cansada. Sinto-me a pessoa mais infeliz e, pior, faço-te infeliz também.

                E ainda você não tem paciência, explode por qualquer coisa que aconteça ou que eu diga, ou seja, por tudo! Mas no final diz que me ama, me desvaloriza, mas me ama, aponta de forma cruel meus defeitos, mas me ama, você é a vítima, como já disse várias vezes, da vilã carrasca, que sou eu, claro.

                Passamos mais tempo nos machucando, sofrendo que desfrutando da companhia um do outro. Não temos paz. Não temos alegria. É o que eu penso. Sinceramente.

Estou exausta com tudo isso.

                 Além de mencionar, o quanto tempo te espero, quantas vezes me decepcionou nesse quesito, e que, com certeza, outra mulher não faria, eu, em outro momento não faria, mesmo assim você sempre passou por cima dos meus sentimentos, eu não tive o direito nem de ficar triste, porque eu deveria satisfazer teu ego e conversar com você, só com você.

                 Você usa que é fiel a mim (como se isso não fosse o que deveria ser), para atropelar tudo, até os sentimentos de quem você diz que ama. Tudo isso vai acumulando… Já te mandei outros e-mails como esse, conversamos (quando você deixa eu falar) e nada muda, só piora!

Exausta.

               Desculpe-me a sinceridade. Desculpe-me não ser quem você imaginava que eu fosse. Desculpe-me. Só me desculpe. Se puder. Sei que sou vilã, mas as vilãs podem ser desculpadas, eu acho.

            Resposta: Silencio.

Depois de tantas outras brigas e questionado novamente, responde:

            “Eu não sou essa pessoa do e-mail.”

            Depois de outras tantas discussões, quando ela já não conseguia nem falar com medo do julgamento dele, terminou o relacionamento e cortou todos os vínculos com ele após mais ou menos quinze dias após a última tentativa de acertar tudo no relacionamento que ela acreditava poder viver o tal feliz para sempre, a partir do casamento planejado (e encaminhado tudo) para setembro de 2018.

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