Livro: O Evangelho Maltrapilho

               O autor Brennan Manning no livro “O Evangelho Maltrapilho” faz-nos questionar o “evangelho” atual. O livro já chama atenção pela capa, parecendo vindo de um sebo, bem maltrapilho mesmo. Eu amei. Mas o conteúdo é surpreendente. Veja alguns trechos:

               Em momentos diferentes da jornada tentei encher o vazio que acompanha muitas vezes a presença de Deus por meio de uma variedade de substitutos: escrever, pregar, viajar, televisão, cinema, sorvete, relacionamentos superficiais, esportes, música, devaneio, álcool etc.

                “Ficamos presos num labirinto frenético. Levantando quando o relógio determina. Bombardeados por manchetes de jornal que parecem remotas e além do alcance. Extenuados por todas as operações mecânicas que nos lançam à atividade e à produtividade.

                   Testados pelo tráfego, forçados a calcular tempo e distancia a nível de segundo. Elevadores, telefones e engenhocas guiam-nos pelas interações necessárias e mantem as interações humanas superficiais e num nível mínimo.

Nossa concentração é interrompida por reuniões e pequenas crises.

                         No fim do dia, rebobinamos a nós mesmos: tráfego, automação, manchetes, até que o alarme do relógio imponha a acordar de amanhã. Rotinas de procedimentos e de timing. Pouco espaço para responder humanamente e com humanidade aos eventos diários; pouco tempo para adentrar a sabedoria e o vigor e a promessa de suas oportunidades. Sentimos nossa vida sufocando-nos, confinando-nos e moldando-nos.” (1)

               Acentuado pelo agnosticismo da negligencia – a falta de disciplina pessoal com relação ao bombardeio da mídia, o controle da mente, as conversas estéreis, a oração pessoal e a sujeição dos sentidos –, a presença de Jesus torna-se cada vez mais remota.

A trivialidade da nossa vida é mudo testemunho da surrada mobília de nossa vida.

               À medida que, olhando para o outro lado, fechamos Deus para a nossa consciência, nosso coração se esfria. Estabelecemos e nos conformamos a vidas de piedade confortável e de virtude bem-alimentada. Tornamo-nos complacentes e vivemos vidas práticas.

              “Há sempre uma enorme tentação de se embromar fazendo amigos efêmeros, refeições efêmeras e viagens efêmeras ao longo de anos efêmeros sem fim” (2)

E como podemos retornar ao verdadeiro evangelho de Cristo?

                  O evangelho da graça anuncia: o perdão precede o arrependimento. O pecador é aceito antes de implorar por misericórdia. Ela é assegurada. Ele precisa apenas aceita-la. Anistia total. Perdão gracioso.

              Mesmo se voltamos porque não conseguimos nos sustentar por nós mesmos, Deus nos acolhe. Ele não busca explicações para nossa repentina aparição. Ele está contente que estejamos lá e quer dar-nos tudo que desejamos. (3)

“Ele não fará nenhuma pergunta sobre o meu passado. Ter-me de volta é tudo que Ele deseja. ”

                Os cristãos maduros que conheci ao longo do caminho são aqueles que falharam e aprenderam a viver de forma graciosa com seu fracasso. A fé requer a coragem de arriscar tudo em Jesus, a disposição de continuar crescendo e a prontidão de arriscar o fracasso ao longo de toda a nossa vida. O que querem dizer essas coisas, especificamente?

               Arriscar tudo em Jesus: o evangelho maltrapilho afirma que não temos como perder, porque não temos nada a perder.

(1) Joan Puls. A Spirituality of compassion, p.119.

(2) Annie Dillard

(3) Henri J.M. Nouwen, A volta do filho pródigo

 

Livro: O Evangelho Maltapilho

Autor: Brennan Manning

Editora: Mundo Cristão

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