O Chão de Escola

                Já percebeu que médicos experientes dão cursos, palestras e participam de debates? O mesmo acontece com empreendedores, administradores, contadores, economistas, agrônomos e outras profissões. Isso deveria ser óbvio. Porém, sobre a profissão de professor, isso raramente acontece.

                Tenho participado e ouvido pelo YouTube palestras e debates realizados por pessoas de“alto escalão” que nunca estiveram no “chão de escola”, sentindo na pele as condições geralmente precárias do ensino brasileiro. Falam sobre teorias sobre o que viram em estatísticas, não na vida real.

                  Pessoas que nunca alfabetizaram uma criança, pessoas que nunca tiveram que estar em uma escola superlotada, sendo que alguns dos alunos possuem alguma síndrome, e desses alguns que deveriam ser medicados, não tomam remédios por não terem condições financeiras.

                Pessoas que nunca lidaram com a família desestruturadas em que quando você a reconhece que a criança é vítima de quem deveria proteja-la. Desde crianças sem algum limite em casa e acredita que pode fazer qualquer coisa (ou não fazer nada) no espaço escolar, até crianças com pouco ou nenhuma estrutura familiar.

               Pessoas que ganham salários de acordo com as funções, ao contrário do professor que não só prepara a aula (muita pesquisa, porque o livro didático pouco acrescenta, pois é só um comercio para arrecadar dinheiro enviado para a pasta da educação) e dar sua aula, mas tem que pedir pelo amor de Deus para poder sua aula, por conta de tanta indisciplina dos alunos e, (algumas vezes) indisposição da direção escolar. Tendo que ser professor, decorador (tem que decorar a sala de aula affff), psicólogo, orientador, médico, mãe/pai e educador (no sentido real da palavra de educar, ensinar bons modos).

               Pessoas que não precisam trabalhar por três períodos para sustentar uma família (conheço vários professores que passam por isso), além de que todos, sem exceção, algum momento (ou sempre) levam serviço para casa, como correção de trabalhos e avaliações.

               Enfim, pessoas que não passam pelo estresse diário que um profissional da área de educação tem que passar todos os dias. E, por conseguinte, acaba tendo doenças com a voz,com articulações, estresse, etc. Muitas vezes, sem os valores para pagamento do tratamento, tendo que recorrer ao SUS e sobre isso nem preciso dizer nada por agora.

               Então não me venha falar do que a educação precisa, ou o que o professor precisa ou que os alunos precisam. Pergunte ao professor que está tentando se aposentar o que foi bom ou ruim em toda tua carreira, ao professor que dá aulas por três períodos como poderia reduzir tua carga horária, ao professor que está começando quais os sonhos e realizações que pretende dentro da tua profissão.

                Que tal juntara experiência do profissional que está a 20 anos no chão de escola com a força de vontade, as novas ideias de quem está iniciando? Acredito que seria a melhor forma de alcançarmos o nível de formação de cidadãos cada vez melhor.

                P.S. Não adianta debater sobre segurança pública, cultura e até saúde, sem antes resolver a situação da educação dos brasileiros.

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