Um Buraco do Lado de Dentro

Tem coisas que acontecem na vida da gente que parece que quebram alguma coisa dentro da gente, que perfura a ponto de abrir um buraco dentro da alma. Parece que toda a alegria se foi, nada faz mais sentido e você só vai ”empurrando com a barriga”, cumprindo compromissos, falando com pessoas, mas aquela dor profunda, interna, continua.

Sabe o que dizem estar no fundo do poço? Então, é esta a sensação. Você está lá sozinha, no escuro e ninguém sabe que está lá, porque só tua alma está lá, teu corpo está trabalhando, comendo, indo e vindo. E ao contrário do mito da caverna de Platão, você está lá no fundo do poço ( e não na caverna), no escuro, escutando o barulho do mundo lá fora, sabe o que tem lá fora, mas não consegue sair, não pretende sair, não vê motivos plausíveis para estar lá fora com as outras pessoas, pois, por causa do que tem lá fora que você prefere estar onde está, apesar de tudo.

Nada mais faz sentido. Para que estudar? Para que trabalhar? A vida é só isso?

Você não pensa em metas, horizontes e propósitos de vida. Nada vale a pena. Porque o resultado não significa nada. Você luta contra isso, a cada manhã tenta ter otimismo de um novo dia, um novo recomeço, mas não passa de uma ilusão. Os pensamentos de causas perdidas voltam e você até continua sorrindo, sendo gentil, trabalhando, contudo em funções automáticas, sem motivações e sem sentir a genuína alegria que um dia já sentiu.

E se as poucas pessoas que te observam e, de repente, percebe um olhar triste, ou uma pessoa calada, mais no canto do que no centro, diz, tentando te ajudar, que você não tem motivos para isso, que você tem emprego, família, saúde e que tem muito que agradecer, o que só piora, porque você se acha ainda mais culpada por estar triste, e por não sentir o que sente! Se sente a pessoa mais ingrata do universo! E fica ainda mais triste.

E por isso que começa a evitar pessoas, por não saber lidar com elas. Você não consegue compartilhar os mesmos sentimentos e, em caminho contrário, as pessoas também não conseguem entender o porquê de você estar assim. E podem começar a questioná-la sobre coisas e emoções que nem mesmo você entende!!! E o pior de tudo a julgá-la. Julgamento nunca é bom, porque é sempre tendencioso, você só vê um lado, a aparência, quem julga não entende o infinito particular do outro! Não julgue, por gentileza!

Por isso, muitas pessoas preferem as redes sociais. Lá pode colocar um “emoji” de carinha feliz e ficar tudo bem. Ninguém pergunta, ninguém incomoda porque todo mundo está ocupado com suas próprias vidas. Lá você edita tua vida, só mostra aquele sorriso forçado, aquela viagem que você fez, aquele livro que supostamente está lendo e vídeos de gatinhos…. Aparentemente está tudo bem. E vida que segue!

Não. A vida não segue. Segue você com um buraco dentro de si, sentada no escuro, no fundo do poço, escutando o barulho do mundo, sem forças para se levantar, para libertar a tua alma daquele lugar e, de verdade, seguir em frente. Não pensando nos julgamentos alheios que nem te conhecem de verdade, mas sendo verdadeira consigo mesma. Indo atrás do teu propósito de vida, sonhos (teus verdadeiros sonhos, não de teus pais, sociedade, etc.) e da tua essência. Assim podendo ser uma pessoa íntegra, no sentido de ser inteira, sem grandes buracos dentro de si.

 

Se você se identificou com este texto, provavelmente você esteja com depressão, seja gentil consigo mesma e procure ajuda. Vá ao médico especialista que cuida das doenças da alma: psicólogo ou psiquiatra, ok?

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